Quarta-feira 15:00hs, eu estava deitado, pensando seriamente em tirar um cochilo a fim de estar inteiro para a finalíssima da Liga dos Campeões (21:50hs, horário local), quando o telefone tocou e era o meu shutaf uruguaio-israelense: “Vamos para Tel Aviv?”. E eu, claro, respondi: “Vamos para Tel Aviv”. Tive de sair voando porque ele já estava em seu carro, as bicicletas presas atrás, e me pegaria na entrada da rodoviária, um pouco além, na saída para Tel Aviv, dentro de quinze minutos. Assim, esqueci o desodorante, uma bermuda e (sorry) a câmera. Ele me pegou no horário combinado e rumamos direto para Yafo, que vem a ser a parte mais antiga (e mais charmosa) de Tel Aviv. Fizemos check in no Hostel (reservamos os quartos já na estrada, pelo celular), pegamos as bicicletas e pedalamos por três horas pelo calçadão.
Fiquei impressionado com a quantidade de noivas que vi sendo fotografadas por Yafo, à beira-mar. Segundo me disse o shutaf, o lugar, por ser muito bonito, é o preferido dos fotógrafos-de-casamentos. E como Tel Aviv NÃO é uma cidade cindida como Jerusalém, vi noivas de todos os tipos: judias, cristãs, muçulmanas, ousadas, tímidas, mas todas muito muito muito bonitas. Fiquei olhando para uma delas com tanta (er…) ternura que ouvi uma gargalhada sonora do shutaf e o comentário: “Gostou do vestido, Andrés?”. Sim, “Andrés” gostou do vestido.
Não pedalamos apenas pelo calçadão tomado por noivas, noivos, fotógrafos, turistas etc., mas também pelos bairros próximos. Comprei uma bermuda no bairro iemenita, no meio de uma enorme feira livre. Comemos pão com húmus e carne de cordeiro e bebemos cerveja escura local em um pequeno restaurante familiar numa viela do mesmo bairro. Depois, pedalamos por Neve Tsedek, uma espécie de SoHo, com ruas estreitas limpíssimas e casas bacanas e bistrôs e restaurantes caríssimos e galerias e ateliês, um bairro de artistas e intelectuais como o Yemin Moshe daqui de Jerusalém.
Ao anoitecer, voltamos para o hotel. Tomei banho e, muita embora a prefeitura de Tel Aviv tenha colocado um telão na praia a fim de que as pessoas assistissem à vitória do Barcelona sobre o Manchester United, preferi vagar pelas ruas de Yafo até encontrar um pub que fosse a minha cara, meio escondido, não muito caro. Meia hora antes do início da partida, eu já estava devidamente instalado na área dos não-fumantes de um pub estiloso com os olhos grudados na televisão e uma bela de uma Goldstar 500ml debaixo das fuças. Óbvio que o Barça ganhou.
Hoje cedo, coisa estranhamente gostosa, senti saudades de Jerusalém. Porque Tel Aviv é linda e há o Mediterrâneo e turistas e em nada se parece com a concha que é Jerusalém, mas eu senti vontade de vir embora. Por mais bonita que seja, Tel Aviv é como qualquer outra metrópole bacana do mundo. Jerusalém, não. Jerusalém é única. Despedi-me do meu shutaf, que resolver ficar por lá até o shabat, peguei o ônibus das dez da manhã e, juro, senti como se voltasse para casa no momento em que vi os primeiros contornos de Jerusalém surgindo à minha frente.
A qualidade da escrita do blog está ótima! Estou adorando visitá-lo, uma vez que a forma como você anda escrevendo nos remete a viajar junto contigo.
Parabéns!
Baita texto.
obrigados! e continuem viajando comigo, sim?
abraços!